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Bahia lidera número de tremores no Nordeste nos últimos 3 anos; Jacobina é destaque

 

A Bahia é o estado do Nordeste com o maior número de tremores registrados nos últimos três anos. As informações são do Correio, com base em dados do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN). Somente entre janeiro e 29 de setembro de 2026, foram identificados 154 tremores em território baiano, número superior aos registros de todo o ano de 2024 (131) e de 2025 (135).

Entre 2024 e 2026, a Bahia concentrou mais de 52% dos tremores registrados pelos sismógrafos do LabSis na região. O estado também é o único do Nordeste a superar a marca de 100 ocorrências em cada ano do período analisado.

O aumento dos registros, no entanto, não significa necessariamente que a atividade sísmica tenha se intensificado na mesma proporção. Em entrevista ao Correio, o mestre em Geofísica e técnico do LabSis, Eduardo Menezes, afirmou que a expansão da rede de monitoramento permitiu identificar fenômenos que já ocorriam no território brasileiro, mas que durante décadas receberam pouca atenção.

“A partir dos anos 80, 90, a expansão de estações geográficas nos deu essa condição de a gente identificar, mapear as áreas que, de fato, já existiam. Só que agora, com o monitoramento, ficou mais fácil de identificar e acompanhar diariamente essas incidências”, explicou.

Em 2026, janeiro e fevereiro concentraram os maiores números de ocorrências na Bahia, com 44 e 42 tremores, respectivamente.

Jacobina concentra maior número de ocorrências

Jacobina, no Centro Norte da Bahia, é o município com mais registros de tremores no Nordeste nos últimos três anos. Foram 146 ocorrências identificadas pelo LabSis. Na sequência aparecem Jaguarari, também na Bahia, com 80 registros, e outros municípios baianos entre os primeiros colocados.

Maracás contabilizou 24 tremores no período, enquanto Santaluz teve 16, Itagibá, 15, e Curaçá, 11. Ao todo, seis municípios baianos aparecem entre os dez com maior número de ocorrências na região.

O maior tremor registrado na Bahia em 2026 ocorreu em Jacobina, em 4 de março, com magnitude de 3,0 mR. Já o mais intenso do último triênio foi registrado em Barreiras, em 14 de outubro de 2025, com magnitude de 3,9 mR.

Em 2024, Barreiras também registrou um dos principais eventos do período, com 3,6 mR, enquanto Jaguarari aparece entre os municípios com maiores magnitudes.

Tremores abaixo de 1,5 mR não são divulgados pelo LabSis por causa da baixa intensidade, embora sejam catalogados para estudos científicos.

Por que a Bahia registra tremores?

A ocorrência de tremores não está restrita às bordas das placas tectônicas. Segundo Eduardo Menezes, também existem os chamados terremotos intraplaca, que ocorrem no interior das placas, como a Sul-Americana, onde está localizado o Brasil.

Os eventos podem ter origem natural, relacionados à pressão exercida sobre falhas geológicas, ou ser provocados por atividades humanas, como explosões e exploração mineral.

Na Bahia, grande parte dos registros está relacionada a áreas de exploração de minério. A maioria dos tremores apresenta magnitude entre 1,5 mR e 2,5 mR, e mais da metade tem intensidade inferior a 2,0 mR. Por isso, muitos dos eventos são detectados apenas pelos equipamentos de monitoramento e não são percebidos pela população.

O LabSis mantém atualmente sete estações de monitoramento espalhadas pelo estado.

Fonte: Toda Bahia

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