Gerador explode e ambulante que estava próximo corre, mas tropeça na corda da própria barraca e cai sobre o fio. Ele recebeu uma descarga de 11.400 volts
Era ambulante, pai de dois filhos, religioso e casado, mas antes de tudo era um ser humano. A sensação de vê-lo morrer ali e não poder fazer nada, absolutamente nada, me matava por dentro. Foram dez minutos de aflição. Ainda assim, mesmo sabendo que não poderíamos ajudá-lo, o desejo de puxá-lo dali atormentava a minha mente e a do fotógrafo Evandro Veiga. Era uma vontade insana, porém motivada pela sensação de impotência. Quando vi o ambulante arrastar-se no chão por centímetros, para mim, apesar de remota, era um fio de esperança de um homem que agonizava sobre uma descarga elétrica de 11.400 volts.
Em mais um dia de batente, por volta das 8h30, Nelson atendeu à ligação de Rosimeire. Como de costume, ela queria saber se ele havia chegado bem. Após trocar palavras de carinho, o casal de despediu. Rosimeire orgulhava-se da luta do marido, que conheceu há 9 anos vendendo lanches em Itinga. Natural de Elísio Medrado, a 240 km de Salvador, Nelson planejava no fim do ano ver os parentes. Para isso, além de separar o dinheiro para o carro, juntava economias de bicos. Quando havia alguma festa na região, lá estava ele e só saía do local após vender tudo.
Comentários
Postar um comentário