Militantes de um grupo radical muçulmano mataram dezenas de pessoas em um ataque no nordeste da República Democrática do Congo na noite de quarta-feira (8). A ação ocorreu nas vilas de Mukondi e Mausa, duas comunidades do território de Beni.
O ataque foi atribuído às Forças Aliadas Democráticas (ADF), grupo armado de origem ugandense, que conduz assaltos frequentes no leste do país.
Na manhã
desta quinta-feira (9), representantes do Exército afirmaram que pelo
menos 36 pessoas foram assassinadas e mencionaram feridos.
“A aldeia de Mukondi foi completamente queimada”, disseram.
Já Arsene Mumbere, líder da sociedade
local, disse à agência de notícias AFP que o saldo provisório é de 38
mortos em Mukondi e oito na vila de Mausa, acrescentando que os
agressores entraram nas aldeias “sem fazer barulho” e mataram a maioria
das vítimas com “armas brancas”. Crianças, mulheres e idosos estão entre
as vítimas.
Anthony Mualushayi, porta-voz do Exército
congolês, disse que o ataque da ADF foi feito em retaliação a uma
operação oficial que deteve mais de 22 militantes do grupo e fechou
estabelecimentos que supostamente forneciam produtos químicos para a
fabricação de bombas.
A ADF foi criada na Uganda e se expandiu
para o leste do Congo durante a década de 1990. Apenas em 2020, segundo a
ONU, a organização teria sido responsável pela morte de mais de 850
pessoas.
O governo do Congo chegou a declarar
estado de sítio nas províncias de Kivu e na vizinha Iuri em 2021, mas as
atividades rebeldes não demonstraram sinais de diminuir.
O grupo, classificado como uma organização
terrorista pelos Estados Unidos, já declarou fidelidade ao Estado
Islâmico. A ONU, entretanto, afirma que há poucas evidências de conexões
da ADF com outras redes de militantes da facção.
Dados da ONU indicam que conflitos armados
desalojaram 5,7 milhões de congoleses internamente e levaram quase um
quarto da população de 96 milhões a enfrentar níveis severos de fome.
Foto Lusa
Por Folhapress
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