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| Crédito: Pexels |
Nem sempre um adolescente “difícil” está apenas enfrentando uma fase de rebeldia. Em muitos casos, comportamentos interpretados como má educação, desinteresse ou excesso de irritação podem ser sinais de sobrecarga emocional e sofrimento psicológico silencioso. Os dados mais recentes sobre saúde mental entre jovens brasileiros acendem um alerta. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada pelo IBGE, mostrou que 42,9% dos adolescentes entre 13 e 17 anos afirmam se sentir irritados, nervosos ou mal-humorados “por qualquer coisa”. Além disso, três em cada dez relatam tristeza frequente
Psicóloga especialista em comportamento infantil e infanto juvenil, Andrea Beltran explica que muitos pais ainda interpretam sofrimento emocional como desafio comportamental. “Existe uma tendência de enxergar o adolescente apenas como rebelde, preguiçoso ou desinteressado. Mas muitos deles estão emocionalmente exaustos, pressionados e sem repertório para expressar o que sentem.”
A especialista destaca seis sinais que merecem atenção:
- Irritação constante
Explosões frequentes, respostas agressivas e impaciência podem indicar sobrecarga emocional, ansiedade ou dificuldade de lidar com pressão.
- Isolamento repentino
O afastamento social excessivo pode funcionar como mecanismo de proteção emocional.
- Falta de interesse por atividades que antes gostava
Quando hobbies, amizades ou atividades deixam de gerar prazer, é importante observar mudanças emocionais mais profundas.
- Silêncio excessivo dentro de casa
Nem todo adolescente que “fica no quarto o dia inteiro” está apenas querendo privacidade.
- Alterações intensas de sono e rotina
Mudanças bruscas no padrão de sono podem refletir sofrimento emocional.
- Sensação constante de cansaço
Mesmo sem grande esforço físico, adolescentes emocionalmente sobrecarregados podem demonstrar esgotamento frequente.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) alerta que metade das condições de saúde mental começa antes dos 14 anos, embora muitos casos permaneçam sem diagnóstico ou tratamento adequado.
Andrea explica que os adolescentes atuais convivem com níveis de estímulo e comparação muito superiores aos de gerações anteriores. “Eles crescem expostos a redes sociais, pressão estética, necessidade de validação constante e excesso de informação. O emocional não acompanha a velocidade do ambiente digital.”
A situação é ainda mais preocupante entre meninas. Dados recentes mostram que uma em cada quatro adolescentes brasileiras afirma sentir que “a vida não vale a pena ser vivida”. Para a psicóloga, o principal erro é reduzir sofrimento emocional a “drama adolescente”. “O adolescente nem sempre consegue pedir ajuda diretamente. Muitas vezes, o comportamento é justamente a forma que ele encontrou de mostrar que não está bem.”
Por Correio

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