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| Foto: Isac Nóbrega / PR |
"Quanto mais arma, mais segurança. Se tiver arma de fogo é
para usar", disse após ouvir relatos sobre falta de infraestrutura nas
estradas do país, o que, segundo os caminhoneiros se traduz por falta de
policiamento e vias esburacadas.
O encontro não estava previsto na agenda do presidente.
Segundo sua assessoria, ele decidiu parar em Anápolis, que liga Goiânia
(aonde se encontrou com representantes de igreja evangélica) e Brasília,
de última hora.
Sua fala sobre o porte ocorreu no momento em que um dos
caminhoneiros contava sobre uma estrada que piorou tanto a ponto de
"matar um" ou "destruir o caminhão". Depois de ouvir o relato em
silêncio, Bolsonaro interrompeu o almoço para dizer: "Pergunta difícil.
Porte de armas, a maioria apoia?"
Em resposta, três dos presentes levantaram o braço e aos
poucos, após insistência do presidente no tema, outros foram se dizendo
adeptos.
"No decreto, eu acabei com comprovar a efetiva necessidade.
Por enquanto está um pouco caro aí, mas a gente vai diminuir isso aí.
Mas já abriu as portas, dá entrada. Tem um tempo de dois ou três meses
que eu botei no decreto para conceder o porte", disse para um dos homens
que demonstrou interesse por se armar.
No início do mês de maio, Bolsonaro editou um decreto -- o
segundo desde que assumiu a Presidência -- que flexibiliza o acesso a
armas. Neste último texto é aberta a possibilidade de porte de arma para
mais casos, como a políticos, jornalistas e caminhoneiros, por exemplo.
"Eu botei lá na razão de profissão de risco", disse
Bolsonaro sobre a possibilidade de caminhoneiros poderem se enquadrar no
texto.
O decreto teve de passar por alterações, depois de ser alvo
de questionamentos na sociedade civil, no Legislativo e no Judiciário.
Entre as modificações está um trecho que abria espaço para que civis
pudessem comprar fuzis.
Os caminhoneiros não pertencem a nenhuma associação ou
grupo organizado. O deslocamento foi feito por Bolsonaro e sua equipe de
helicóptero e exigiu um reforço na segurança.
Ele chegou ao local acompanhado do ministro Tarcísio de
Freitas (Infraestrutura) -- escalado para responder as dúvidas dos
caminhoneiros -- do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do líder do
governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO) e do porta-voz da
Presidência, general Otávio Rêgo Barros.
O presidente passou a maior parte do tempo em silêncio,
enquanto comia churrasco e bebia coca-cola. Coube a Tarcísio esclarecer
as principais dúvidas sobre preço dos combustíveis, frete e outras
dificuldades enfrentadas pela categoria.
O local escolhido para o encontro se chama "Presidente
posto e churrascaria - um amigo na estrada", onde Bolsonaro chegou por
volta de 12h30 e permaneceu por 45 minutos.
Embora tenha dito que a escolha do restaurante foi
"aleatória", ao deixar o local, ele disse que sua equipe fez um
levantamento sobre a presença de caminhoneiros na região.
"Foi aleatória [a ida para o restaurante]. Foi feito
levantamento de ontem para hoje de onde teria mais caminhões neste
horário, eu estava vindo de Goiânia e paramos aqui para conversar com os
caminhoneiros", disse.

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