
Muitas pessoas acreditam que, na criação de filhos, uma surra pode ser a
melhor forma de ensinar e não faz mal algum. No entanto, uma pesquisa
recente mostrou que não é bem assim. Pesquisadores dos Estados Unidos
mostraram que apanhar na infância leva a um maior risco de, na fase
adulta, fazer uso abusivo de álcool e de drogas, além de maior
probabilidade de tentar o suicídio. Foram ouvidos 8,3 mil adultos do
estado da Califórnia, que responderam perguntas sobre situações adversas
na infância e saúde mental na vida adulta. Em entrevista à Folha de S.
Paulo, o pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP
Renato Alves avaliou que essas pesquisas não permitem uma relação de
causa e efeito. No entanto, ressaltou que nunca foi provada uma relação
positiva entre bater e melhora no desenvolvimento físico ou mental da
criança. "É preocupante porque muita gente diz que apanhou e é um
cidadão de bem. O problema desse raciocínio é que se pega o exemplo
particular e o generaliza", afirmou. Um levantamento desenvolvido em
2010 pelo NEV revelou que 20% dos brasileiros foram punidos fisicamente e
de forma regular na infância. Já 70% dos entrevistados disseram ter
apanhado ao menos uma vez. (BN)
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